sexta-feira, 6 de junho de 2008
A bola. Ah, a bola. Tão linda rumando para o gol, às vezes nem precisa da rede para completar sua beleza, consegue ser linda também aos pés de quem tem habilidade. Redonda para uns e disforme para o Biro Biro, esse que via como coisa mais próxima do redondo o joelho de um adversário.
Maradona a via como um filho obediente, quase uma marionete, que não se importava com seus comandos. Já Biro Biro a enxergava como pretexto para se aproximar de sua vítima, salivando.
Maradona tinha olhos para a bola, tão somente, para ela e seus pés a conduziam com extrema imponência. Biro Biro tinha olhos para joelhos, canelas, costelas, tornozelos e pés desavisados que, quando tocavam o chão de um gramado, rumavam para o atendimento rápido. Maradona até poderia assinar seus gols com comemorações esdrúxulas, mas Biro Biro, assinava joelhos, canelas, costelas e tornozelos com a inconfundível marca de suas chuteiras, as chuteiras cavalinho.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Há 22 anos Maradona fizera o gol que para muitos é considerado o mais bonito de todos os tempos, dada a importância da ocasião, no caso, uma copa do mundo, o gol é ainda mais relevante. E lembram-se que ano passado um outro argentino atuando pelo Barcelona fez um gol muito, mas muito similar ao de Dieguito?
Pois é. Lionel Messi deu o mesmo número de toques na bola, em um percurso muito parecido, driblando inclusive o mesmo número de oponentes. Quebraria-se então o mito de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Acho mais fácil dizer que isso é o jeito argentino de jogar futebol, é raça, é habilidade, é influência e referência.
Às vezes me pego imaginando se um jogador da atualidade se espelhar em Biro Biro, que tipo de marcador teríamos? Eu sei que você sabe a resposta. Não sei?
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Eu gostaria de começar esse post com uma gargalhada, daquelas bem terríveis, daquelas que só se vêem em filmes de horror dos anos 80. Mas deixo isso para sua fértil imaginação, afinal, é por demais absurdo comparar O CRAQUE com alguém como Biro Biro, ou se preferir, Lero Lero.
Creio que você não saiba, mas o corintiano foi contratado para ocupar a vaga de Falcão, trazido ao Parque São Jorge por Vicente Matheus. Biro Biro ocupa até hoje um espaço em certos corações alvinegros; o jogador tentou ainda ocupar uma vaga na câmara municipal, concorrendo a vereador pela cidade de São Paulo.
Em termos de futebol, Lero Biro só fazia era dar carrinhos. Daqueles em que o adversário não escapa nem pulando. Não havia drible que funcionava como defesa, a lesão era certa e consequentemente, o afastamento do jogador também. Já Maradona, nem seu famoso gol de mão o denegriu, pelo contrário, há quem chame de la mano de dios. Sendo assim, de onde vem a pergunta? Maradona ou Biro Biro?
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Campanhas publicitárias para a tv andam anunciando que o Biro Biro tem 3 gols contra, enquanto Maradona nenhum. Outro ponto a ser tocado foi o número de cachos de cada um, Biro Biro com 1.402 e Maradona com apenas 48. Engraçado não? Vamos tentar engrossar esses dados.
Clubes internacionais defendidos
Maradona 3 x 0 Biro Biro
Títulos conquistados
Maradona 10 x 4 Biro Biro
Gols feitos
Maradona 353 x 8 Biro Biro (3 contra)
Jogos oficiais disputados
Maradona 692 x 933 Biro Biro
Faltas cometidas
Maradona 67 x 23.415 Biro Biro
Passes errados
Maradona 52 x 49.941
quinta-feira, 29 de maio de 2008
“Não meti a bola nas canetas dele, mas ele também não meteu nas minhas.” Essa foi a resposta de Biro Biro quando perguntado por um jornalista sobre o duelo entre ele e Maradona em um amistoso entre Corinthians e Boca Juniors, realizado na Bombonera. O jogador está certo em sua declaração, mas vamos levantar algumas hipóteses.
Hipótese de número 1
Biro Biro não levou uma caneta por que só entrou nos 46 do segundo tempo.
Hipótese de número 2
Biro Biro havia entrado em campo com os cadarços da chuteira amarrados um no outro.
Hipótese de número 3
Maradona não deu uma caneta, mas um chapéu triplo, um elástico, um drible da vaca e 15 cortes secos no defensor corintiano.
Hipótese de número 4
Maradona não deu uma caneta pois saíra da partida com 7 segundos de jogo, devido a uma falta sofrida por Biro Biro.
Hipótese de número 5
Os dois times só se enfrentaram em sonho
Assim exposto, fica muito fácil compreender a afirmação do enrolador jogador.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Em 15 de agosto de 2005 Maradona estreou como apresentador de seu próprio programa (La Noche del Diez) no canal 13 de uma rede de televisão argentina. Como convidado especial do programa, ninguém mais ninguém menos que Pelé. Rivais ferrenhos de outrora se reuniriam para derrubar a concorrência daquela noite que entre tantos programas de destaque também exibia o filme Harry Potter.
As noites do dez apenas refletiam os dias em que Maradona estava em campo. O jogador de meros 1,65m, encantava multidões com seus dribles desconcertantes, passes precisos e gols inesquecíveis. De fato, a galeria de lances mágicos do camisa dez é vasta e repleta de contribuições para o bom futebol.
Poucos foram os dias em que o craque não esteve inspirado. Muitas foram as vezes em que Maradona entrava em campo e gritava à torcida: quero fazer valer seu ingresso, sua vinda até aqui e seu amor pelo esporte. Nesses dias, quando a noite chegava, Maradona tinha certeza de que poderia descansar com a sensação de dever cumprido.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Foi bonito ver o Zidane fazendo um gol de falta, assim como os feitos pelo Ronaldinho Gaúcho. Mas pouco se viu na história do futebol que faltas foram batidas com tanto apuro técnico quanto as cobradas por Maradona. Sim, quase não se comenta, mas El Diez parecia ter completo controle da bola em sua trajetória ao gol.
De sua passagem pelo temido Boca Juniors, pelo Barcelona, time de tantos outros grandes nomes do futebol, pelo Napoli ou Sevilla, ou pela seleção com tom azul celeste, Diego Maradona reinou naquilo que pode ser considerado como o que decide uma partida, no caso, uma bola parada.
Conhece o termo “lá onde a coruja dorme”? Pois bem, o dez costumava incomodar com freqüência o animal de hábitos noturnos. Suas faltas, sejam de frente para o gol ou de ângulos opostos, tinham destino certo. Poucos goleiros o detiveram, barreira alguma o superou, no máximo umas poucas traves, mas essas, insistiam em empurrar a bola para as redes.
domingo, 25 de maio de 2008
Sinistromano é um sinônimo para canhoto. Estima-se que os canhotos compreendam de 8 a 15% da população mundial; fala-se ainda que os canhotos são geralmente mais habilidosos, quando não mais reconhecidos. Leonardo Da Vinci pintou a Monalisa usando a mão esquerda, Einstein estruturou suas equações enquanto canhoto, assim como os riffs inigualáveis de Jimi Hendrix foram tocados com uma palheta em sua mão esquerda.
Com o futebol não é diferente. Exemplos brasileiros ficam por conta de Rivellino, Nilton Santos e Gérson, este apelidado até como “canhota de ouro”. O húngaro Ferenc Puskas, o zagueiro alemão Paul Breiner e o uruguaio Álvaro Recoba preenchem essa humilde lista que poderia constar ainda com muitos outros nomes, mas obviamente, nenhum canhoto atuando entre quatro linhas foi tão reconhecido e amado quanto Maradona.
Dono de uma habilidade extrema, seus adversários pareciam nunca saber para onde o meia atacante iria escapar. Definitivamente o futebol mantém uma divida eterna com o esquerdino mais talentoso que um torcedor pôde prestigiar. Em tempo,você sabia que os canhotos tem um dia? Pois é, ele foi instituído no 13 de agosto.
sábado, 24 de maio de 2008
É preciso estar munido de muito bom senso quando escolhas têm de ser feitas. Por exemplo, você já acordou algum dia e só quando estava na esquina do trabalho pôde perceber que sua roupa não era a mais adequada. Você já escolheu 3 e não 2 colheres de açúcar, e o café ficou mais doce do que deveria. Você já disse sim, quando mais tarde pensou que se optasse pelo não, tudo teria sido bem mais fácil.
A vida é assim, feita de escolhas. Das mais simples, àquelas que definem todo o curso dela. E com o futebol não é diferente. Há jogadores e jogadores; existem aqueles que preenchem o time e aqueles que são o time. O eterno camisa dez argentino por sua vez não teve de escolher pelo futebol, ele mesmo havia sido escolhido pelo esporte ao qual se dedicara.
E aqui somos obrigados a fazer uso do mesmo bom senso do início desse texto. Diego Armando Maradona não foi o melhor por que outros eram ruins ou por que aqueles que julgavam estar no mesmo patamar tiveram um ou outro lance de glória, mas sim por que sua intimidade com a bola transcendia a espetacular escolha da vida pelos melhores.